O NAF e a sua História
O Núcleo de Arte Fotográfica (NAF), secção autónoma da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico (IST), transporta um passado com mais de cinco décadas e é hoje uma instituição incontornável da História do IST, com o qual tem colaborado nos últimos anos em diversos eventos. Em 2001, o NAF produziu as exposições colectivas Engenhos e Visões e Técnica Photographica, por ocasião dos 70 anos da escola, reunindo nomes grandes da Fotografia portuguesa ligados à Universidade Técnica de Lisboa (UTL), alguns com passagem registada pelo IST, como Luís Pavão e Augusto Alves da Silva. As exposições, comissariadas por Jorge Calado (professor jubilado do nosso Instituto, e, sem exagero, o melhor especialista português em Fotografia), ficaram registadas em dois catálogos com edição da Reitoria da UTL. Em Novembro de 2006 o Núcleo comemorou as Bodas de Brilhante do Técnico com duas exposições individuais, Geometria Criativa e I-S-T 95-75-15, de Paulo Maia e Carlos Miguel Fernandes, respectivamente, nas quais o IST foi o tema principal. De I-S-T 95-75-15 foi editado um livro em colaboração com a IST Press. Há mais tempo, em 1994, o Salão de Arte Fotográfica mostrou ao Instituto o trabalho dos colaboradores do NAF, e também uma exposição histórica sobre a Escola e os seus mais mediáticos antigos alunos. Mas agora, mais do que a História recente, interessa-nos resgatar aquilo que ficou esquecido com a passagem do tempo.
O NAF foi desde sempre abrigo seguro para fotógrafos amadores e (futuros) profissionais, os quais encontraram nas suas instalações e filosofia um lugar quase único na cidade de Lisboa. Nos laboratórios do NAF, alunos e professores do IST (para além de muitos fotógrafos exteriores à instituição) tiveram a oportunidade de aprender e desenvolver diversas técnicas num ambiente de cooperação com louváveis condições de trabalho, as quais foram sendo construídas pelo esforço desinteressado de direcções e colaboradores. Houve altos e baixos, há relatos de períodos com a porta fechada, mas quem já passou pela árdua tarefa de tentar construir um laboratório caseiro saberá dar valor ao espaço que o NAF ofereceu a várias gerações de adeptos da arte fotográfica. Mas hoje, o NAF encontra-se em rota de colisão com a História e não pode esperar mais tempo para redefinir ou reforçar estratégias, sob pena de se descaracterizar ou mesmo morrer. Na Fotografia, vivemos tempos de mudança de paradigma, talvez como nunca aconteceu na História desta arte com forte componente científica. Quando a daguerreotipia deu lugar ao conceito de negativo-positivo, mais não houve do que um regresso às origens, uma vitória do carácter reprodutível do talbotipo, sustentada no avanço técnico, e que tomou o lugar das provas únicas do daguerreótipo, de inquestionável beleza e definição, mas sem escapatória para uma possível evolução futura; a democratização da Fotografia, apadrinhada por George Eastman e pela sua Kodak nos anos oitenta do século XIX, começou nos laboratórios de William Henry Fox Talbot. A História da arte e técnica fotográfica confunde-se com o paradigma negativo-positivo, mas agora, com a evolução dos processos digitais, assiste-se à mudança mais radical na curta vida da Fotografia.
O Núcleo enfrenta uma encruzilhada. Ou mantém o seu carácter popular, virando o olhar para o processo digital, substituindo o ampliador pelo digitalizador, ou assume-se como guardião das velhas técnicas, um museu vivo de uma Fotografia que vai, mais tarde ou mais cedo, desaparecer da vista do grande público, ficando confinada às mãos de alguns artesãos e espíritos curiosos. Qualquer que seja o caminho escolhido para o futuro, parece-nos ser esta a altura ideal para esquadrinhar o passado e escrever a História do NAF. Há dois documentos que sobreviveram à passagem dos anos e ao carácter errante do Núcleo. O primeiro data de 1950 e descreve-nos o contacto — cujo assunto parece estar relacionado com a aquisição de material fotográfico — entre uma empresa do ramo da fotografia e cinema e a Associação de Estudantes do IST. Em 1956 o Almanaque Português de Fotografia já se dirigia ao “Director da Secção de Fotografia da A.E.I.S.T”. Entre estas duas datas ter-se-á criado a Secção, antecessora daquilo que hoje conhecemos como NAF. Mas, se o início da História do NAF se esbate no tempo, nas décadas que se seguem o problema adensa-se, e a documentação parece estar perdida. A partir do início da década de noventa a História pode ser contada na primeira pessoa por alguns colaboradores do NAF ainda activos, mas urge completar o quadro, sob o risco de os primeiros quarenta anos do Núcleo ficarem para sempre perdidos. Quem por cá passou? Que exposições foram organizadas pelo NAF? Que impacto teve na Fotografia portuguesa? Se algum visitante tiver dados ou histórias que nos ajudem a acrescentar algo a esta narrativa tão incompleta, agradecíamos que nos contactasse através do endereço de correio electrónico do NAF (naf.ist@gmail.com). Obrigado!
O NAF foi desde sempre abrigo seguro para fotógrafos amadores e (futuros) profissionais, os quais encontraram nas suas instalações e filosofia um lugar quase único na cidade de Lisboa. Nos laboratórios do NAF, alunos e professores do IST (para além de muitos fotógrafos exteriores à instituição) tiveram a oportunidade de aprender e desenvolver diversas técnicas num ambiente de cooperação com louváveis condições de trabalho, as quais foram sendo construídas pelo esforço desinteressado de direcções e colaboradores. Houve altos e baixos, há relatos de períodos com a porta fechada, mas quem já passou pela árdua tarefa de tentar construir um laboratório caseiro saberá dar valor ao espaço que o NAF ofereceu a várias gerações de adeptos da arte fotográfica. Mas hoje, o NAF encontra-se em rota de colisão com a História e não pode esperar mais tempo para redefinir ou reforçar estratégias, sob pena de se descaracterizar ou mesmo morrer. Na Fotografia, vivemos tempos de mudança de paradigma, talvez como nunca aconteceu na História desta arte com forte componente científica. Quando a daguerreotipia deu lugar ao conceito de negativo-positivo, mais não houve do que um regresso às origens, uma vitória do carácter reprodutível do talbotipo, sustentada no avanço técnico, e que tomou o lugar das provas únicas do daguerreótipo, de inquestionável beleza e definição, mas sem escapatória para uma possível evolução futura; a democratização da Fotografia, apadrinhada por George Eastman e pela sua Kodak nos anos oitenta do século XIX, começou nos laboratórios de William Henry Fox Talbot. A História da arte e técnica fotográfica confunde-se com o paradigma negativo-positivo, mas agora, com a evolução dos processos digitais, assiste-se à mudança mais radical na curta vida da Fotografia.
O Núcleo enfrenta uma encruzilhada. Ou mantém o seu carácter popular, virando o olhar para o processo digital, substituindo o ampliador pelo digitalizador, ou assume-se como guardião das velhas técnicas, um museu vivo de uma Fotografia que vai, mais tarde ou mais cedo, desaparecer da vista do grande público, ficando confinada às mãos de alguns artesãos e espíritos curiosos. Qualquer que seja o caminho escolhido para o futuro, parece-nos ser esta a altura ideal para esquadrinhar o passado e escrever a História do NAF. Há dois documentos que sobreviveram à passagem dos anos e ao carácter errante do Núcleo. O primeiro data de 1950 e descreve-nos o contacto — cujo assunto parece estar relacionado com a aquisição de material fotográfico — entre uma empresa do ramo da fotografia e cinema e a Associação de Estudantes do IST. Em 1956 o Almanaque Português de Fotografia já se dirigia ao “Director da Secção de Fotografia da A.E.I.S.T”. Entre estas duas datas ter-se-á criado a Secção, antecessora daquilo que hoje conhecemos como NAF. Mas, se o início da História do NAF se esbate no tempo, nas décadas que se seguem o problema adensa-se, e a documentação parece estar perdida. A partir do início da década de noventa a História pode ser contada na primeira pessoa por alguns colaboradores do NAF ainda activos, mas urge completar o quadro, sob o risco de os primeiros quarenta anos do Núcleo ficarem para sempre perdidos. Quem por cá passou? Que exposições foram organizadas pelo NAF? Que impacto teve na Fotografia portuguesa? Se algum visitante tiver dados ou histórias que nos ajudem a acrescentar algo a esta narrativa tão incompleta, agradecíamos que nos contactasse através do endereço de correio electrónico do NAF (naf.ist@gmail.com). Obrigado!
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